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O Atlético-PR está presente na Copa São Paulo de Futebol Júnior, que começa nesta sexta-feira, mas pode dar um adeus definitivo às competições de base caso não seja capaz de resolver a situação de Mosquito, cria do Vasco que se envolveu em um imbróglio que o deixou sem entrar em campo em 2012. Os principais clubes do país alegam que o Furacão ignorou um pacto de ética - formalizado em abril e fortalecido a cada reunião desde então - que estabelece que não há transferência de um atleta da base sem consentimento mútuo.
O atacante, hoje prestes a completar 17 anos, deixou o Vasco no fim de 2011 sob alegação de não receber auxílio financeiro por cinco meses. Teria pedido cerca de R$ 20 mil para acertar o primeiro contrato profissional, valor fora dos padrões. Fechou negócio com o Macaé e foi oferecido por empréstimo a São Paulo, Flamengo, Botafogo, Grêmio, Cruzeiro, Corinthians e Figueirense. Todos o rejeitaram, com base no tal acordo.
O Atlético-PR aceitou o negócio e deixou outros clubes indignados pela quebra do pacto. Por causa disso, foi excluído da Copa Avaí, em Florianópolis, e do Brasileiro Sub-17. A Copa São Paulo será uma exceção no histórico recente de participações do Furacão, pois há dinheiro de transmissão de TV envolvido e por se tratar do maior torneio da categoria no país, com 100 equipes. Ao mesmo tempo, para evitar polêmicas, Mosquito não foi inscrito.
As medidas poderão ser mais drásticas na próxima competição de base, a Copa Rio, em março. Os clubes pedirão mais uma vez que o Atlético-PR fique fora, caso Mosquito continue treinando, seja ele inscrito ou não. Se não forem atendidos, enviarão um documento à Federação do Rio, organizadora do torneio, pedindo a própria dispensa.
A única saída para manter o Furacão em atividade nos campeonatos de base parece ser um acordo com o Vasco, que foi iniciado, mas se estagnou, segundo o diretor executivo Mauro Galvão. O ex-zagueiro não fala sobre o rumo que a conversa tomou, mas a compensação seria ceder parte dos direitos econômicos. A questão, porém, depende dos agentes Cacau Barbosa e Gustavo Arribas, que trabalham com Mosquito e precisam concordar com a negociação. O GLOBOESPORTE.COM não conseguiu falar com os dois ao longo dos últimos 15 dias.
- Nunca fechamos as portas, mas depende da outra parte. Não houve uma sequência no contato, e quem perde são eles - disse Galvão, que não sabe se há ambiente para um eventual retorno do atacante - Algumas pessoas envolvidas no caso infelizmente devem ter sido uma influência que não foi boa. Isso pode ser um complicador. É difícil dizer algo agora.
Os dirigentes do Atlético-PR se limitam a responder, através da assessoria de imprensa, que já se pronunciaram em um comunicado - rebatido dias depois pelo Vasco. E que, se houver boicote em torneios, irão à Justiça.
No próximo dia 10, está agendada uma reunião que pode levar à conclusão do caso. Um dos comandantes do movimento é o diretor de base do Flamengo, Carlos Brazil, que também faz parte do Associação Brasileira dos Executivos de Futebol e esteve à frente do acordo ético entre os clubes. René Simões, executivo do Vasco, também fazia parte da associação, mas se afastou em virtude do novo trabalho. Foi ele, aliás, que lutou para que o São Paulo dissesse "não" a Mosquito e quase foi voto vencido, quando trabalhava com a base no Morumbi. Sua insistência gerou um desgaste, e ele deixou a função.
O último torneio de porte que o Atlético-PR disputou foi a Copa do Brasil Sub-17, em julho, quando foi campeão ao bater justamente o Vasco na final. Na Copa São Paulo, o time estreia neste domingo, contra o Barras.
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Reprudução da ata da reunião realizada em agosto, na Toca da Raposa, entre os gestores da base dos principais clubes do país. Foi posto no papel um código de ética para nortear o assunto (Foto: Reprodução)
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